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segunda-feira, 30 de maio de 2016

Será que eu estou sozinha nesse mundo super lotado de pessoas sempre online? - Suh Riediger


A geração da rapidinha chegou. Foto bonita no Facebook, entra na página, vasculha o perfil, descobre quem é pai-mãe-melhor amigo-cachorro-casa de praia-onde passou o último verão-e quem foi a última namorada. Adiciona como amigo. Aceitou. Manda Inbox. Respondeu. 10 frases e passa o WhatsApp. -Oi, oi; por aqui é bem melhor. -E aí, o que vai fazer no fds? -Vou na “dasa” e vc? -Também. -Então nos encontramos lá. Alguns dias de ansiedade e chega a hora. Será que ele vai? Com que roupa eu vou? Batom vermelho? Acho que não rola amiga. Vai de nude, salto e saia. -Oi, oi; prazer, prazer. Beijos!!!! Beijos… Beijos sem muita conversa. Mas também, porque beijos precisam ser quase imediatos? Daí rola aqueles olhares sem muita profundidade. Vontade sem muito entusiamo. Mas o que podemos esperar de uma relação tão sem “relação”? Mas está bom, melhor que nada. Vida de solteira anda meio difícil não é mesmo? -Deixa que eu te levo em casa então.
No outro dia de manhã tem WhatsApp. Quem manda primeiro? Quem está mais interessado? Não, quem é mais maduro. Um oi e um tchau. Uma noite, duas noites… Uma semana e uma mudança de lua são suficientes para acabar. A regra das relações rapidinhas segue a mesma constância: acho que não era para ser. É alto demais, é loiro, não trabalha, tem poucos seguidores, vive na balada, gosta de comer milho na frente dos outros e tem uma família meio torta. “Nada”, isso é o que significa as características que usamos para terminar alguma coisa que mal teve a chance de começar. A gente corta as asas de quem nem aprendeu a voar ainda. As pessoas perderam o olhar longo, a jogada de cabelo… Perderam a emoção de um sms escrito “estou com saudades”. Será que ninguém mais tem vontade de olhar as estrelas sem pensar em mais nada além daquele momento? Com aquela pessoa? Será que eu estou sozinha nesse mundo super lotado de pessoas sempre online?
Parece que nada mais tem graça, parece que tudo anda meio vazio. Tudo é tão igual. A gente está perdendo a sutileza de saber o que significa se entregar, merecer, conquistar, estar, viver… Se perceber e se doar. Se amar e admirar a cor dos olhos do outro. A textura do cabelo, os ossinhos da mão e o jeito de andar rápido quando está atrasado. Sabe aquela voltinha na coluna que ninguém tem igual a ninguém? Ninguém mais repara nela. A gente existe por likes. Viaja por comentários, e vai para academia pelo espelho. A legging mais confortável perdeu espaço para a mais bonita. Essa é a lógica das relações de hoje: o que faz bem foi deixado de lado pela triste beleza do que faz mal. Eu tenho medo de pensar onde isso vai parar. Em um mundo onde se compra casamentos, seguidores, silicones, bocas carnudas e o perfect365 é de graça, eu fico pensando: será que um dia alguém ainda vai reparar quantos tipos de sorriso eu tenho?
Por: Suh Riediger

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Mais ou menos


A gente pode morar numa casa mais ou menos, numa rua mais ou menos, numa cidade mais ou menos, e até ter um governo mais ou menos. 
A gente pode dormir numa cama mais ou menos, comer um feijão mais ou menos, ter um transporte mais ou menos, e até ser obrigado a acreditar mais ou menos no futuro. 
A gente pode olhar em volta e sentir que tudo está mais ou menos... 

Tudo bem!

O que a gente não pode mesmo, nunca, de jeito nenhum... 
é amar mais ou menos, sonhar mais ou menos, ser amigo mais ou menos, namorar mais ou menos, ter fé mais ou menos, e acreditar mais ou menos. 
Senão a gente corre o risco de se tornar uma pessoa mais ou menos.
Chico Xavier 

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Piada: O anti-terrorismo brasileiro

Bem, essa história foi 'relatada' bem antes da recente morte do Bin Laden. Mas, existem alguns comentaristas especializados, que afirmam a possibilidade de represálias ao assassinato do Bin, inclusive em continente brasileiro. Sei não, acho que não conhecem muito bem o dia-a-dia dos brasileiros...

De qualquer forma... Devido ao profundo ódio da turma do Bin por festas monumentais (símbolo da globalização da alegria), a cidade escolhida para um ataque terrorista foi o Rio de Janeiro por causa do Carnaval e, mais precisamente, do Cristo Redentor (símbolo maior da religião dos infiéis!).

Assim, os dois melhores terroristas kamikazes viajaram para o Brasil e chegaram ao Rio de Janeiro, determinados a impor o castigo de Allah aos infiéis tupiniquins. A missão, felizmente, não teve sucesso, conforme os registros da Polícia Federal enviados ao FHC, ao Bush e ao Papa.

Eis a história

Domingo 21:47 horas: Chegam ao Aeroporto Internacional do Galeão, vindos da Turquia. Suas malas são extraviadas e depois de mais de 8 horas de peregrinação por diversos guichês conseguem sair do aeroporto, após serem aconselhados pelos funcionários da Varig, a voltarem no dia seguinte, pois assim, talvez, tenham mais sorte...

Pegam um táxi na saída do aeroporto. O taxista percebe que são estrangeiros e leva uma hora e meia dando voltas com eles pela cidade para abandoná-los em um lugar ermo da Baixada Fluminense, tendo parado no caminho para que dois cúmplices os assaltassem. Bateram neles e lhes roubaram os dólares.

Segunda-feira 04:30 horas: Graças ao treinamento de guerrilha que receberam nas cavernas do Afeganistão e nos campos minados da Somália, os dois terroristas conseguem chegar a um hotel. Decidem alugar um carro na Hertz, em Copacabana e se dirigem ao aeroporto para seqüestrarem um avião, para jogá-lo bem no meio dos braços abertos do Cristo Redentor.

Pegam um congestionamento monstro por causa de uma manifestação de estudantes e professores em greve e ficaram horas parados; além de terem seus relógios roubados em um arrastão no meio do congestionamento.

Segunda-feira 12:30 horas: Decidem parar no centro da cidade e procuram uma casa de câmbio para trocar o pouco que lhes sobrou de dólares e recebem notas de R$100 falsas, dessas que são feitas grosseiramente a partir de notas de R$1.

Segunda-feira 15:45 horas: Chegam por fim ao aeroporto do Galeão com a firme intenção de seqüestrar um avião. Os pilotos da VARIG estão em greve por mais salário e menos horas, e os controladores de vôo também estão em greve, querem equiparação com os pilotos. O único avião disponível na pista é um da Transbrasil, que havia sido fretado para a Soletur, mas sem combustível. Os empregados e os passageiros estão acampados na sala de espera e nos corredores do aeroporto tocando pagode e gritando slogans contra o governo, os pilotos e o Roberto Marinho. A polícia de choque chega batendo em todos, inclusive nos terroristas.

Segunda-feira 19:05 horas: Finalmente a calma reina e os dois filhos de Allah, ainda ensangüentados, se dirigem ao balcão da Transbrasil para comprar as passagens. Mas o funcionário que lhes vende os bilhetes omite a informação de que os vôos da companhia estão suspensos por tempo indeterminado.

Segunda-feira 22:07 horas: Os terroristas discutem entre si, na dúvida se destruir o Rio de Janeiro, no fim das contas, é um ato terrorista ou uma obra de caridade.

Segunda-feira 23:30 horas: Mortos de fome, decidem comer alguma coisa no restaurante do aeroporto, pedem um sanduíche de churrasco com queijo e uma limonada.

Terça-feira 04:35 horas: Se recuperam de uma intoxicação alimentar de proporções eqüinas, devido à carne estragada do sanduíche, no hospital Miguel Couto, depois de terem esperado horas para que o socorro chegasse e serem atendidos por uma enfermeira gorda, feia e mal-humorada. Seria questão de dois dias, se não fosse pela cólera devida à limonada feita com água contaminada.

Domingo 17:20 horas: Saem do hospital e chegam próximos ao estádio do Maracanã. O Flamengo acabara de perder em casa para o Bangu, por 6x0. A torcida do Flamengo, confunde os terroristas com integrantes da torcida adversária e aplicam-lhes uma surra sem precedentes. O chefe da torcida é um tal de Pé de Mesa que abusa sexualmente deles.

Domingo 19:45 horas: Finalmente são deixados em paz, com dores terríveis pelo corpo e em algumas partes em particular – e vendo uma barraca de venda de bebida decidem se embriagar (uma vez na vida, mesmo que seja pecado!). Tomam cachaça adulterada com metanol e voltam ao Miguel Couto. Os médicos também diagnosticam gonorréia (Pé de Mesa não perdoa!).

Terça-feira 23:42 horas: Os dois terroristas fogem do Brasil em um barco que roubam na Baía de Guanabara. Juram por Allah que não vão fazer atentados contra o Brasil, que preferem os Estados Unidos, onde as conseqüências são menores.


Autoria Desconhecida
Fonte: Doce Limão

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Como comecei a escrever, por Carlos Drummond de Andrade

Aí por volta de 1910 não havia rádio nem televisão, e o cinema chegava ao interior do Brasil uma vez por semana aos domingos. As notícias do mundo vinham pelo jornal, três dias depois de publicadas no Rio de Janeiro. Se chovia a potes, a mala do correio aparecia ensopada, uns sete dias mais tarde. Não dava para ler o papel transformado em mingau.

Papai era assinante da Gazeta de Notícias, e antes de aprender a ler eu me sentia fascinado pelas gravuras coloridas do suplemento de Domingo. Tentava decifrar o mistério das letras em redor das figuras, e mamãe me ajudava nisso. Quando fui para a escola pública, já tinha a noção vaga de um universo de palavras que era preciso conquistar.

Durante o curso, minhas professoras costumavam passar exercícios de redação. Cada um de nós tinha de escrever uma carta, narra um passeio, coisas assim. Criei gosto por esse dever, que me permitia aplicar para determinado fim o conhecimento que ia adquirindo do poder de expressão contido nos sinais reunidos em palavras.

Daí por diante as experiências foram se acumulando, sem que eu percebesse que estava descobrindo a leitura. Alguns elogios da professora me animavam a continuar. Ninguém falava em conto ou poesia, mas a semente dessas coisas estavam germinando. Meu irmão, estudante na Capital, mandava-me revistas e livros, e me habituei a viver entre eles. Depois, já rapaz, tive sorte de conhecer outros rapazes que também gostavam de ler e escrever.

Então começou uma fase muito boa de troca de experiências e impressões. Na mesa do café-sentado ( pois tomava-se café sentado nos bares, e podia-se conversar horas e horas sem incomodar nem ser incomodado ) eu tirava do bolso o que escrevera durante o dia, e meus colegas criticavam. Eles também sacavam seus escritos, e eu tomava parte nos comentários. Tudo com naturalidade e franqueza. Aprendi muito com os amigos, e tenho pena dos jovens de hoje que não desfrutam desse tipo de amizade crítica.

Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Aprenda a chamar a polícia, por Luis Fernando Verissimo

Eu tenho o sono muito leve, e numa noite dessas notei que havia alguém andando sorrateiramente no quintal de casa. Levantei em silêncio e fiquei acompanhando os leves ruídos que vinham lá de fora, até ver uma silhueta passando pela janela do banheiro. Como minha casa era muito segura, com grades nas janelas e trancas internas nas portas, não fiquei muito preocupado, mas era claro que eu não ia deixar um ladrão ali, espiando tranqüilamente.
Liguei baixinho para a polícia, informei a situação e o meu endereço.
Perguntaram-me se o ladrão estava armado ou se já estava no interior da casa.
Esclareci que não e disseram-me que não havia nenhuma viatura por perto para ajudar, mas que iriam mandar alguém assim que fosse possível.
Um minuto depois, liguei de novo e disse com a voz calma:
— Oi, eu liguei há pouco porque tinha alguém no meu quintal. Não precisa mais ter pressa. Eu já matei o ladrão com um tiro da escopeta calibre 12, que tenho guardada em casa para estas situações. O tiro fez um estrago danado no cara!
Passados menos de três minutos, estavam na minha rua cinco carros da polícia, um helicóptero, uma unidade do resgate , uma equipe de TV e a turma dos direitos humanos, que não perderiam isso por nada neste mundo.
Eles prenderam o ladrão em flagrante, que ficava olhando tudo com cara de assombrado. Talvez ele estivesse pensando que aquela era a casa do Comandante da Polícia.
No meio do tumulto, um tenente se aproximou de mim e disse:
— Pensei que tivesse dito que tinha matado o ladrão.
Eu respondi:
— Pensei que tivesse dito que não havia ninguém disponível.

domingo, 31 de janeiro de 2016

Brincadeira, por Luiz Fernando Verissimo



Começou como uma brincadeira. Telefonou para um conhecido e disse:

– Eu sei de tudo.

Depois de um silêncio, o outro disse:
– Como é que você soube?
– Não interessa. Sei de tudo.
– Me faz um favor. Não espalha.
– Vou pensar.
– Por amor de Deus.
– Está bem. Mas olhe lá, hein?
Descobriu que tinha poder sobre as pessoas.
– Sei de tudo.
– Co- como?
– Sei de tudo.
– Tudo o quê?
– Você sabe.
– Mas é impossível. Como é que você descobriu?
A reação das pessoas variava. Algumas perguntavam em seguida:
– Alguém mais sabe?
Outras se tornavam agressivas:
– Está bem, você sabe. E daí?
– Daí nada. Só queria que você soubesse que eu sei.
– Se você contar para alguém, eu…
– Depende de você.
– De mim, como?
– Se você andar na linha, eu não conto.
– Certo.
Uma vez, parecia ter encontrado um inocente.
– Eu sei de tudo.
– Tudo o quê?
– Você sabe.
– Não sei. O que é que você sabe?
– Não se faz de inocente.
– Mas eu realmente não sei.
– Vem com essa.
– Você não sabe de nada.
– Ah, quer dizer que existe alguma coisa pra saber, mas eu é que não sei o que é?
– Não existe nada.
– Olha que eu vou espalhar…
– Pode espalhar que é mentira.
– Como é que você sabe o que eu vou espalhar?
– Qualquer coisa que você espalhar será mentira.
– Está bem. Vou espalhar.
Mas dali a pouco veio um telefonema.
– Escute. Estive pensando melhor. Não espalha nada sobre nada daquilo.
– Aquilo o quê?
– Você sabe.
Passou a ser temido e respeitado. Volta e meia alguém se aproximava dele e sussurrava:
– Você contou para alguém?
– Ainda não.
– Puxa. Obrigado.
Com o tempo, ganhou uma reputação. Era de confiança. Um dia, foi procurado por um amigo com uma oferta de emprego. O salário era enorme.
– Por que eu? – quis saber.
– A posição é de muita responsabilidade – disse o amigo. – Recomendei você.
– Por quê?
– Pela sua descrição.
Subiu na vida. Dele se dizia que sabia tudo sobre todos, mas nunca abria a boca para falar de ninguém. Além de bem-informado, um gentleman. Até que recebeu um telefonema. Uma voz misteriosa que disse:
– Sei de tudo.
– Co- como?
– Sei de tudo.
– Tudo o quê?
– Você sabe.
Resolveu desaparecer. Mudou-se de cidade. Os amigos estranharam o seu desaparecimento repentino. Investigara. O que ele estaria tramando? Finalmente foi descoberto numa praia remota. Os vizinhos contam que a voz que uma noite vieram muitos carros e cercaram a casa. Várias pessoas entraram na casa. Ouviram-se gritos. Os vizinhos contam que mais se ouvia era a dele, gritando:
– Era brincadeira! Era brincadeira!
Foi descoberto de manhã, assassinado. O crime nunca foi desvendado. Mas as pessoas que o conheciam não têm dúvidas sobre o motivo.
Sabia demais.

domingo, 10 de janeiro de 2016

Conselho de um velho apaixonado, por Carlos Drummond de Andrade


Quando encontrar alguém e esse alguém fizer seu coração parar de funcionar por alguns segundos, preste atenção: pode ser a pessoa mais importante da sua vida.

Se os olhares se cruzarem e, neste momento, houver o mesmo brilho intenso entre eles, fique alerta: pode ser a pessoa que você está esperando desde o dia em que nasceu.

Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo for apaixonante, e os olhos se encherem d'água neste momento, perceba: existe algo mágico entre vocês.

Se o 1º e o último pensamento do seu dia for essa pessoa, se a vontade de ficar juntos chegar a apertar o coração, agradeça: Algo do céu te mandou um presente divino : O AMOR.

Se um dia tiverem que pedir perdão um ao outro por algum motivo e, em troca, receber um abraço, um sorriso, um afago nos cabelos e os gestos valerem mais que mil palavras, entregue-se: vocês foram feitos um pro outro.

Se por algum motivo você estiver triste, se a vida te deu uma rasteira e a outra pessoa sofrer o seu sofrimento, chorar as suas lágrimas e enxugá-las com ternura, que coisa maravilhosa: você poderá contar com ela em qualquer momento de sua vida.

Se você conseguir, em pensamento, sentir o cheiro da pessoa como se ela estivesse ali do seu lado...

Se você achar a pessoa maravilhosamente linda, mesmo ela estando de pijamas velhos, chinelos de dedo e cabelos emaranhados...

Se você não consegue trabalhar direito o dia todo, ansioso pelo encontro que está marcado para a noite...

Se você não consegue imaginar, de maneira nenhuma, um futuro sem a pessoa ao seu lado... Se você tiver a certeza que vai ver a outra envelhecendo e, mesmo assim, tiver a convicção que vai continuar sendo louco por ela...

Se você preferir fechar os olhos, antes de ver a outra partindo: é o amor que chegou na sua ida.

Muitas pessoas apaixonam-se muitas vezes na vida, mas poucas amam ou encontram um amor verdadeiro.

Às vezes encontram e, por não prestarem atenção nesses sinais, deixam o amor passar, sem deixá-lo acontecer verdadeiramente. É o livre-arbítrio.

Por isso, preste atenção nos sinais.

Não deixe que as loucuras do dia-a-dia o deixem cego para a melhor coisa da vida: o AMOR!

Ame muito, muitíssimo!

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terça-feira, 5 de janeiro de 2016

O que faz bem pra saúde? - por Luis Fernando Veríssimo


Cada semana, uma novidade.
A última foi que pizza previne câncer do esôfago.
Acho a maior graça.
Tomate previne isso, cebola previne aquilo, chocolate faz bem, chocolate faz mal, um cálice diário de vinho não tem problema, qualquer gole de álcool é nocivo, tome água em abundância, mas peraí, não exagere...
Diante desta profusão de descobertas, acho mais seguro não mudar de hábitos.
Sei direitinho o que faz bem e o que faz mal pra minha saúde.
Prazer faz muito bem.
Dormir me deixa 0 km.
Ler um bom livro faz eu me sentir novo em folha.
Viajar me deixa tenso antes de embarcar, mas depois eu rejuvenesço uns cinco anos.
Viagens aéreas não me incham as pernas, me incham o cérebro, volto cheio de idéias.
Brigar me provoca arritmia cardíaca.
Ver pessoas tendo acessos de estupidez me embrulha o estômago.
Testemunhar gente jogando lata de cerveja pela janela do carro me faz perder toda a fé no ser humano.
E telejornais os médicos deveriam proibir - como doem!
Essa história de que sexo faz bem pra pele acho que é conversa, mas mal tenho certeza de que não faz, então, pode-se abusar.
Caminhar faz bem, dançar faz bem, ficar em silêncio quando uma discussão está pegando fogo faz muito bem: você exercita o autocontrole e ainda acorda no outro dia sem se sentir arrependido de nada.
Acordar de manhã arrependido do que disse ou do que fez ontem à noite é prejudicial à saúde.
E passar o resto do dia sem coragem para pedir desculpas, pior ainda.
Não pedir perdão pelas nossas mancadas dá câncer, não há tomate ou muzzarela que previna.
Ir ao cinema, conseguir um lugar central nas fileiras do fundo, não ter ninguém atrapalhando sua visão, nenhum celular tocando e o filme ser espetacular, UAU!
Cinema é melhor pra saúde do que pipoca.
Beijar é melhor do que fumar.
Exercício é melhor do que cirurgia.
Humor é melhor do que rancor.
Amigos são melhores do que gente influente.
Pergunta é melhor do que dúvida.
Tomo pouca água, bebo mais que um cálice de vinho por dia, faz dois meses que não piso na academia, mas tenho dormido bem, trabalhado bastante, encontrado meus amigos, ido ao cinema e confiado que tudo isso pode me levar a uma idade avançada.
Sonhar é melhor do que nada.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Viagem a Paris, por Carlos Drummond De Andrade


- Ouvi dizer que vai a Paris.
- Exato.
- A negócio?
- Não.
- Turista?
- Não.
- Missão política reservada?
- Não.
- Tão secreta assim?
- Não.
- Se não sou indiscreto...transa de amor?
- Não.
- Está muito misterioso.
- Não.
- Como não? Saúde, talvez.
- Não.
- Compreendo que não queira alarmar...
- Não.
- Busca apenas repouso.
- Não
- Fugir do trabalho, então.
- Não.
- Capricho do momento.
- Não.
- Tantos não devem significar um sim.
- Não.
- Significam sim. Vou repetir as hipóteses.
- Não.
- Temos pela frente uma indústria nova, de vulto.
- Não.
- De qualquer maneira, é financiamento internacional.
- Não.
- Então a coisa está ficando preta.
- Não.
- Está preta, e há jogadas que só em Paris.
- Não.
- Percebe-se alguma coisa no ar.
- Não.
- Não dá para perceber, mas há.
- Não.
- Mas pode haver a qualquer momento.
- Não.
- Nem hipótese?
- Não.
- Nenhuma nuvem distante, muito distante mesmo?
- Não.
- No ano que vem?
- Não.
- Ouvi mal?
- Não.
- Sendo assim, é segredo pessoal?
- Não.
- O coração é quem dita a viagem... eu sei.
- Não.
- Sim, sim. Pode confessar.
- Não.
- Hoje em dia essas coisas são públicas. Dão até cartaz.
- Não.
- Sei que não precisa disso, mas...
- Não.
- Por que não? Está com medo da imprensa?
- Não.
- Receia perder a situação social?
- Não.
- A situação financeira?
- Não.
- Política?
- Não
- Pois olhe, melhor é preparar o ambiente.
- Não.
- Claro que sim. Insinuar mudança em sua vida.
- Não.
- Discretamente.
- Não.
- De leve, só uma pincelada. Deixe comigo.
- Não.
- Não abro manchete nem boto aquela foto em duas colunas, aquela bacana, lembra?
- Não.
- Só cinco linhas.
- Não.
- Duas.
- Não.
- Mas tenho de dizer alguma coisa.
- Não.
- O senhor é notícia.
- Não.
- Pode dizer que não, mas é sim.
- Não.
- Puxa vida, o senhor hoje está medonho. Resolveu responder não a tudo que é pergunta minha?
- Não.
- Ah, é? Então vamos recomeçar: o senhor vai a Paris?
- Vou.
- E que é que vai fazer em Paris?
- Ver.
- Ver o quê?
- O Último Tango em Paris.
- E por que é que não me disse isso logo, homem de Deus?
- Você não me perguntou, por que eu havia de responder?

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

A história sem fim, de Michael Ende


"O rapaz fez que não com a cabeça. 
— Em outras palavras, você é um molengão, não é verdade? disse o Sr. Koreander.
Bastian encolheu os ombros. 
— Mas falar você sabe, disse o Sr. Koreander. Por que não responde quando eles zombam de você?
— Já fiz isso uma vez...
— E o que aconteceu?
— Eles me colocaram numa lata de lixo e amarraram a tampa. Fiquei chamando umas duas horas até que alguém me ouviu.
— Hum, resmungou o Sr. Koreander, e agora você não se atreve a fazer outra vez a mesma coisa.

Bastian fez que sim com a cabeça.
— Tudo isso quer dizer, concluiu o Sr. Koreander, que você é um medroso.

Bastian baixou a cabeça.
— Mas aposto que você é um bom aluno, não é? O melhor da classe, que só tira dez, o preferido dos professores, ou não?
— Não, disse Bastian, mantendo os olhos baixos. No ano passado eu repeti.
— Pelo amor de Deus! exclamou o Sr. Koreander. Então você é um fracasso total.

Bastian não disse nada. Deixou-se simplesmente ficar onde estava, os braços caídos, o casaco pingando.
— O que é que eles dizem quando zombam de você?, quis saber o Sr. Koreander.
— Não sei... Tudo o que lhes vem à cabeça.
— Por exemplo?
— Gordo, Gordão! Parece um balão! Quando sobe na árvore se esborracha no chão! 

— Esta não tem muita graça, disse o Sr. Koreander. E que dizem mais?
Bastian hesitou antes de responder:
— Maluco, cabeça de vento, mentiroso, convencido...
— Maluco? Por quê? 

— Sabe, às vezes eu falo sozinho.
— E o que é que você fica falando?
— Imagino histórias, invento nomes e palavras que ainda não existem e outras coisas assim.
— E você conta essas coisas para você mesmo? Por quê?
— Porque não interessam a mais ninguém."

A história sem fim, de Michael Ende.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

O caminho para felicidade

Acho que há um momento na vida de toda pessoa onde ela questiona seu lugar no mundo, suas escolhas e se tem feito de tudo para encontrar a felicidade. Creio que naquele momento é como se o mundo parasse e apenas as questões martelassem em seu cérebro.

Acontece com todo mundo. Faz parte da vida. Você olha para alguém que talvez nunca se esforçou realmente e ela está conseguindo ganhar grandes coisas e ser grandes coisas e você está estacionado em algum universo paralelo que mostra que sua vida é um tédio, você não tem vivido o suficiente para se julgar alguém que mereça a felicidade e em um desses dias em meias reflexões depreciativas uma luz surge.

Você entende que a culpa não é de ninguém, você percebe que todas as escolhas estiveram abertas e foi você que fez todas erradas e nunca lutou o suficiente para chegar a algum lugar. Você percebe que a felicidade não pode estar projetada numa outra pessoa, ela está projetada no que você toma como sonho, transforma em objetivo e faz de tudo para alcançá-lo.

Nenhuma jornada é fácil, mas qual seria a graça de acompanhar o Frodo se ele não tivesse obstáculos ou se Harry fosse famoso e vivesse tranqüilo sem Voldemort em seu encalço. Imaginou essas histórias? Qual seria a graça delas se eles não tivessem lutado por seus objetivos?

Então, olhar para trás nunca é a melhor escolha. Esperar que exista alguém que possa te apoiar também não, pois se você não acredita em você mesmo como espera que alguém o faça e como espera que alguém imagine que você pode alcançar, pessoas lutam todos os dias e parecem nunca conseguir, mas elas lutaram o suficiente?

Você fez o suficiente para chegar lá na frente e dizer: consegui ou deu errado, mas eu tentei. O que faz de você homem? O que faz de você mulher? O que nos faz seres racionais?

O que faz de você um sonhador?

Se algum dia alguém encontrar um caminho fácil pela vida, avise ao mundo.

O que aconteceu no passado é passado, você não pode mudar o passado. Você só pode fazer escolhas diferentes no presente para ter um futuro melhor.

Lembre-se da sua criança interior, seja criativo ao máximo. A criatividade parece estar ruindo aos poucos, não deixe essa coisa linda fugir de você, não deixe o mundo lhe dizer quem você é.

Apenas você pode fazer isso e espero de todo coração que o faça.

Vanessa Oliveira

sábado, 17 de outubro de 2015

Nostalgia

Com a correria do dia a dia é um pouco difícil de notar o tempo passando, mas ele passa e passa rápido. Durante a nossa vida vivenciamos coisas que vão nos marcando, que sempre arrancam um pedacinho da gente e se perde no cotidiano corrido. Essas coisas que nos marcam tem vários nomes, algumas são músicas, cheiros, filmes, lugares, momentos... São elementos que nos fazem voltar no tempo em que eramos felizes e não sabíamos, elementos que nos formam como pessoa.

A imagem de uma moça chorando ao ouvir sua música favorita da adolescência nos deixa refletindo sobre como pode ser intenso o sentimento de nostalgia. É inexplicável e puro. Você quer tanto voltar naquele momento, nem que seja por um minuto, que sem perceber já está em lágrimas ou simplesmente sorrindo sem parar. 

A vida passa, são as lembranças que ficam para nunca esquecermos o que fomos e o que somos. Pare um pouco e avalie se você está aproveitando cada momento com intensidade e com paixão. Não deixe de valorizar o que realmente importa, o amanhã ainda não chegou, nem se quer existe.

Bruna Alves

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Dicas para escrever melhor

É um pouco desesperador quando temos que escrever e não temos ideia de como começar ou se estamos fazendo de forma correta. Por isso hoje separamos pequenas dicas que podem te auxiliar na hora de montar seu próximo texto. Confira:

1. Leia muito e de tudo
Esta é a dica que mais se ouve quando estamos procurando formas de escrever melhor, mas é porque esta é infalível. Leia de tudo, livros, revistas, jornais, blogs, livros didáticos, etc. Varie seu estilo, procure estilos diferentes de leitura. Além de aprender mais, isso vai te inspirar.


2. Escreva sobre o que tiver vontade
Separe um tempinho para escrever sem compromisso algum. Uma das formas mais legais de fazer isso é criando um diário, onde dá pra escrever sobre o seu dia ou sobre seus pensamentos. Mas se você for o tipo de pessoa que não tem paciência pra ficar atualizando diário, separe um caderninho pra escrever sobre as coisas que gosta e criar historinhas.


3. Não caia no tédio, seja simples
Foi-se o tempo em que palavras difíceis deixavam o texto mais bonito, hoje em dia com as formas rápidas de comunicação, as pessoas não tem mais tanta paciência para ficar interpretando textos difíceis. Então seja simples e objetivo, seu texto ficará mais interessante.


4. Escreva corretamente na internet
Apesar de não ter muito compromisso com a forma certa de escrever quando se está na internet, é bom sempre tentar escrever corretamente. Isso pode refletir quando você for montar alguma redação ou qualquer outro texto. Cuidado com as abreviações, algumas coisas não tem necessidade de serem abreviadas.



5. Exercite a pontuação e acentuação
Saber colocar as vírgulas e pontos nos lugares certos é essencial para que a leitura do texto seja fluída. Preste bem atenção na acentuação, a falta de acentos pode prejudicar toda a estrutura de um texto, por isso treine bastante e sempre revise o que escreveu antes de dar como finalizado.


quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Filtro solar, por Pedro Bial


Nunca deixem de usar o filtro solar. 
Se eu pudesse dar só uma dica sobre o futuro seria esta: use filtro solar! Os benefícios a longo prazo do uso de filtro solar estão provados e comprovados pela ciência. Já o resto de meus conselhos não tem outra base confiável além de minha própria experiência errante. Mas agora eu vou compartilhar esses conselhos com vocês.

Aproveite bem, o máximo que puder, o poder e a beleza da juventude. Ou, então, esquece... Você nunca vai entender mesmo o poder e a beleza da juventude até que tenham se apagado. Mas pode crer que daqui a vinte anos você vai evocar as suas fotos,
e perceber de um jeito que você nem desconfia hoje em dia, quantas, tantas, alternativas se escancaravam a sua frente. E como você realmente estava com tudo em cima, você não está gordo ou gorda...

Não se preocupe com o futuro. Ou então preocupe-se, se quiser, mas saiba que pré-ocupação é tão eficaz quanto mascar chiclete para tentar resolver uma equação de álgebra.
As encrencas de verdade em sua vida tendem a vir de coisas que nunca passaram pela sua cabeça preocupada, e te pegam no ponto fraco às 4 da tarde de uma terça-feira modorrenta.

Todo dia, enfrente pelo menos uma coisa que te meta medo de verdade.
Cante.
Não seja leviano com o coração dos outros.
Não ature gente de coração leviano.
Use fio dental.

Não perca tempo com inveja. Às vezes se está por cima, às vezes por baixo. A peleja é longa e, no fim, é só você contra você mesmo.
Não esqueça os elogios que receber. Esqueça as ofensas. Se conseguir isso, me ensine. Guarde as antigas cartas de amor. Jogue fora os extratos bancários velhos.
Estique-se.
Não se sinta culpado por não saber o que fazer da vida. As pessoas mais interessantes que eu conheço não sabiam, aos vinte e dois o que queriam fazer da vida. Alguns dos quarentões mais interessantes que eu conheço ainda não sabem.
Tome bastante cálcio. Seja cuidadoso com os joelhos. Você vai sentir falta deles.
Talvez você case, talvez não. Talvez tenha filhos, talvez não. Talvez se divorcie aos quarenta, talvez dance ciranda em suas bodas de diamante.
Faça o que fizer não se auto congratule demais, nem seja severo demais com você. As suas escolhas tem sempre metade das chances de dar certo. É assim para todo mundo.
Desfrute de seu corpo use-o de toda maneira que puder, mesmo. Não tenha medo de seu corpo ou do que as outras pessoas possam achar dele, É o mais incrível instrumento que você jamais vai possuir.

Dance.
Mesmo que não tenha aonde além de seu próprio quarto. Leia as instruções mesmo que não vá segui-las depois. Não leia revistas de beleza, elas só vão fazer você se achar feio

Dedique-se a conhecer seus pais. É impossível prever quando eles terão ido embora, de vez. Seja legal com seus irmãos. Eles são a melhor ponte com o seu passado e possivelmente quem vai sempre mesmo te apoiar no futuro.
Entenda que amigos vão e vem, mas nunca abra mão de uns poucos e bons. Esforce-se de verdade para diminuir as distâncias geográficas e de estilos de vida, porque quanto mais velho você ficar, mais você vai precisar das pessoas que você conheceu quando jovem.
More uma vez em Nova York, mas vá embora antes de endurecer. More uma vez no Havaí, mas se mande antes de amolecer.
Viaje.
Aceite certas verdades inescapáveis: os preços vão subir, os políticos vão saracotear, você também vai envelhecer. e quando isso acontecer você vai fantasiar que quando era jovem os preços eram razoáveis, os políticos eram decentes, e as crianças respeitavam os mais velhos. Respeite os mais velhos. E não espere que ninguém segure a sua barra. Talvez você arrume uma boa aposentadoria privada. Talvez você case com um bom partido, mas não esqueça que um dos dois de repente pode acabar. Não mexa demais nos cabelos se não quando você chegar aos 40 vai aparentar 85.
Cuidado com os conselhos que comprar, mas seja paciente com aqueles que os oferecem.
Conselho é uma forma de nostalgia. Compartilhar conselhos é um jeito de pescar o passado do lixo, esfregá-lo, repintar as partes feias e reciclar tudo por mais do que vale.

Mas, no filtro solar, acredite.

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Filhos brilhantes, alunos fascinantes, por Augusto Cury


Bons filhos conhecem o prefácio da história dos seus pais. Filhos brilhantes vão muito mais longe, conhecem os capítulos mais importantes das suas vidas.

Bons jovens se preparam para o sucesso. Jovens brilhantes se preparam para as derrotas. Eles sabem que a vida é um contrato de risco e que não há caminhos sem acidentes.

Bons jovens têm sonhos ou disciplina. Jovens brilhantes têm sonhos e disciplina. Pois sonhos sem disciplina produzem pessoas frustradas, que nunca transformam seus sonhos em realidade, e disciplina sem sonhos produz servos, pessoas que executam ordens, que fazem tudo automaticamente e sem pensar.

Bons alunos escondem certas intenções, mas alunos fascinantes são transparentes. Eles sabem que quem não é fiel à sua consciência tem uma dívida impagável consigo mesmo. Não querem, como alguns políticos, o sucesso a qualquer preço. Só querem o sucesso conquistado com suor, inteligência e transparência. Pois sabem que é melhor a verdade que dói do que a mentira que produz falso alívio..

A grandeza de um ser humano não está no quanto ele sabe, mas no quanto ele tem consciência que não sabe. O destino não é freqüentemente inevitável, mas uma questão de escolha. Quem faz escolha, escreve sua própria história, constrói seus próprios caminhos.

Os sonhos não determinam o lugar onde vocês vão chegar, mas produzem a força necessária para tirá-los do lugar em que vocês estão. Sonhem com as estrelas para que vocês possam pisar pelo menos na Lua. Sonhem com a Lua para que vocês possam pisar pelo menos nos altos montes. Sonhem com os altos montes para que vocês possam ter dignidade quando atravessarem os vales das perdas e das frustrações.

Bons alunos aprendem a matemática numérica, alunos fascinantes vão além, aprendem a matemática da emoção, que não tem conta exata e que rompe a regra da lógica. Nessa matemática, você só aprende a multiplicar quando aprende a dividir, só consegue ganhar quando aprende a perder, só consegue receber, quando aprende a se doar.

Uma pessoa inteligente aprende com os seus erros, uma pessoa sábia vai além, aprende com os erros dos outros, pois é uma grande observadora.

Procurem um grande amor na vida e cultivem-no. Pois, sem amor, a vida se torna um rio sem nascente, um mar sem ondas, uma história sem aventura! Mas, nunca esqueçam, em primeiro lugar tenham um caso de amor consigo mesmos.
Augusto Cury

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Quase, por Sarah Westphal


Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase. É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi. Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou. Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.

Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cór, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz. A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai. Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.

Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém,preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer. Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.
Sarah Westphal

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Encerrando Ciclos, por Gloria Hurtado


Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final. Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver. Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos - não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.

Foi despedido do trabalho? Terminou uma relação?
Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país?
A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?

Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu. Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seu marido ou sua esposa, seus amigos, seus filhos, sua irmã, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.

Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco. O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.

As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora. Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem. Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração - e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.

Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.
Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos. Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais.

Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do “momento ideal”. Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará.

Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade. Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante. Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida. Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é.
Gloria Hurtado

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Instantes, por Nadine Stair


Se eu pudesse novamente viver a minha vida,
na próxima trataria de cometer mais erros.
Não tentaria ser tão perfeito,
relaxaria mais, seria mais tolo do que tenho sido.

Na verdade, bem poucas coisas levaria a sério.
Seria menos higiênico. Correria mais riscos,
viajaria mais, contemplaria mais entardeceres,
subiria mais montanhas, nadaria mais rios.
Iria a mais lugares onde nunca fui,
tomaria mais sorvetes e menos lentilha,
teria mais problemas reais e menos problemas imaginários.

Eu fui uma dessas pessoas que viveu sensata
e profundamente cada minuto de sua vida;
claro que tive momentos de alegria.
Mas se eu pudesse voltar a viver trataria somente
de ter bons momentos.

Porque se não sabem, disso é feita a vida, só de momentos;
não percam o agora.
Eu era um daqueles que nunca ia
a parte alguma sem um termômetro,
uma bolsa de água quente, um guarda-chuva e um pára-quedas e,
se voltasse a viver, viajaria mais leve.

Se eu pudesse voltar a viver,
começaria a andar descalço no começo da primavera
e continuaria assim até o fim do outono.
Daria mais voltas na minha rua,
contemplaria mais amanheceres e brincaria com mais crianças,
se tivesse outra vez uma vida pela frente.
Mas, já viram, tenho 85 anos e estou morrendo
Nadine Stair

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Quem ama a si mesmo, certamente, aprendeu a amar - por Iandê Albuquerque


Dia desses li um comentário de um leitor que dizia que se entregar demais era um erro. Acho que amar demais nunca é um erro. O erro é se entregar por inteiro pra alguém que é metade. O erro é doar-se com toda intensidade pra alguém que não é capaz. O erro, é desacreditar, inclusive no amor, por tão pouca pessoa. O erro não está em você se doar demais, o erro está em quem não consegue reconhecer alguém capaz de realizar o amor. Você não se torna trouxa por ter dado tudo de si pra alguém que não te deu nem metade, você se torna trouxa por insistir em ser importante pra alguém que te trata com tanta irrelevância. As decepções servem justamente pra te fortalecer, você tem todo direito de se reservar e ir com cuidado da próxima vez, mas não tem o direito de, sequer, deduzir que o amor é um erro. O erro é esquecer de você e viver o outro, é deixar tua vida pra depois por outra pessoa, porque amar é justamente o contrário. É viver a tua vida, permitindo que o outro a conheça. É aceitar que o outro entre na tua vida e não ter medo de que ele possa um dia ir embora, porque quando você aceita a sua liberdade, você aceita também que as pessoas são livres e que podem partir a qualquer momento. Amar é estar bem consigo mesmo, porque se você não é autossuficiente pra se cuidar e estar bem com você mesmo, não vai conseguir achar paz de espírito do lado de fora. Imagina que o amor próprio é a tua base, e não egoismo, você vai precisar dele pra te levar só onde te traga paz, pra te fazer ficar só onde for realmente justo. E se tem uma coisa que o amor não é, é injusto. O erro é perder tempo com gente que só te faz perder a cabeça, é reclamar da ausência do outro que nunca se tornará presença porque se o outro tivesse realmente afim, você não estaria perdendo tanto tempo assim pelos mesmos motivos. O erro é esperar demais de alguém que nunca cumpre, e expectativas sempre geram péssimas frustrações. Amar não é um erro. O erro é correr atrás de alguém que nunca está na mesma direção que você. Primeiro que, se for amor ele não vai correr de você, ele vai preferir ficar do teu lado, assistindo um filme, ou comendo Sushi, ou tomando uma gelada, ou fazendo qualquer coisa que te torne uma das poucas pessoas mais importantes ao ocupar o tempo e a vida dele, sem que ele precise se preocupar. O erro é insistir em quem não soma, só consume, em que sempre encontra um motivo pra te falar sobre seus defeitos e que nunca enxerga os seus acertos. O erro são pessoas mais ausentes que presentes, e dessas, você também não precisa. O erro é ficar com alguém que só acumula desculpas e promessas, que te coloca sempre na espera de que um dia vai mudar e vai te fazer bem. Se alguém precisa realmente mudar pra te fazer bem, você não precisa dessa pessoa. Amar não é um erro. O erro é esquecer de si mesmo, é esquecer que você só consegue encontrar alguém que te faça bem, quando estiver bem com você. Quando aceitar que você mesmo é capaz de se fazer muito bem, você terá segurança suficiente pra aceitar que ficar com alguém que te faz mal não faz sentido, que o apego é até bonito, mas só quando alguém tem o mesmo apreço por você, quando existe envolvimento e sentimento suficiente ao ponto de sentir que amor nos faz mais importante pro outro, caso contrário, o desapego é o melhor caminho pra indecisão. Se alguém insiste em te mudar, esse alguém não gosta de quem você é. Quando aprendemos a nos amar, nos bastamos, e tudo que não for completo, tudo que for tão raso, tudo que não vier pra somar, melhor sumir. 

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Sobre a vida, sobre crescer...

Não sei que rumo eu estou seguindo, sentada na varanda do fundo de casa e observando as folhas do coqueiro se mover com o vento, fico imaginando quando que vou me sentir satisfeita por completo.

A questão é que eu escolhi o que quero ser, mas a cada porta que tento abrir a chave não é compatível. E o que sempre ouço é "você ainda é jovem, tem muito caminho pela frente" e até aí tudo bem. O problema é quando eu vejo que boa parte das pessoas que já convivi ou convivo estão com um rumo certo, já tem um bom emprego, e muitos já estão até construindo uma família enquanto eu... Bom, eu ainda estou aqui, sem muitas novidades, sem muito sobre o que falar.

Parece um pouco clichê dizer isso, mas agora entendo melhor porque Peter Pan nunca quis ser adulto. Nascemos, crescemos, nos apaixonamos, trabalhamos e morremos. Muitos formam família outros não.

Vivemos relativamente pouco se levarmos em consideração que passamos boa parte dos dias nos preocupando com trabalho, dinheiro e outras coisas que com certeza vamos nos arrepender de ter perdido tempo quando estivermos chegando no fim da vida.

A felicidade as vezes me parece ser uma agulha no palheiro, mesmo vendo as pessoas expondo varias formulas dela. A real é que ninguém segue metade daquilo que fala. Você pode ser a pessoa mais caridosa, mais autêntica, mais sorridente, mais confiante, mas sempre vai ter aquela hora do dia que você vai parar e pensar que poderia estar melhor.

Sinto falta de ser surpreendida por algo e sinto falta da reciprocidade. O medo de se entregar pode ser perigoso, sem ver ele te afasta das pessoas, e mesmo assim você vai achar que está tudo bem. É como um câncer que você só descobre quando está na fase terminal, e aí é tarde demais.

Talvez eu só precise me sentir menos só ou eu só precise de uma boa xícara de café enquanto sigo em frente. Só para frente.
-A